segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Fernando Miramez de Olivídeo

 


Miramez era filho de um casal de nobres que vivia no norte da Espanha. Sua mãe era francesa e seu pai português. Inteligente e estudioso, desde cedo interessou-se pela descoberta das Américas onde, por várias vezes, se via desembarcando em portos que sentia serem abençoados.

Miramez era íntimo de Filipe IV, rei de Espanha, que conhecia seus princípios de integridade e de elevada moral. Para o rei, porém, Fernando possuía deficiências que pretendia corrigir: era avesso às guerras, repudiava a violência e apoiava o direito dos povos e principalmente, dos indivíduos. Por isso designou-o, com poderes de chefe de Estado, como “os ouvidos do rei e boca da Espanha” nas Terras de Santa Cruz, visando acompanhar de perto a ação colonialista de Portugal na América.

Na mesma noite em que o rei lhe fez o convite, Miramez sentiu que algo há muito tempo acalentado na alma começava a se realizar. Em sono tranquilo, foi levado em viagem astral às terras onde em breve haveria de aportar. Acordou no dia seguinte cantarolando, envolvido por estranha alegria, daquelas que costumam acompanhar todos que pensam, vivem e agem em prol do bem da humanidade.

Assim, em um dia do ano de 1649, em que reinava em Roma Inocêncio X, desembarcava no litoral do Brasil, secretamente, na condição de turista, o enviado do rei da Espanha.

Amável e convivente, dominando muitos idiomas, já no barco que o transportava para a praia, relacionara-se com os remadores escravos. Acontecimento notável em sua chegada foi o fato de vários índios que se encontravam na praia virem ao seu encontro como que para recepcioná-lo, ao mesmo tempo em que o feiticeiro da tribo apontava para o seu lado direito, exclamando: "Babagi! Babagi!"

Na tradição indígena, Babagi era a divindade responsável pela cura realizada através dos pajés de cada tribo. Era, na realidade, uma entidade espiritual que acompanhava Miramez. Logo sentiu-se cercado pelos novos amigos, que nele sentiam condição de proporcionar alívio aos sofrimentos e perseguições pelas quais passavam, ante o domínio dos invasores estrangeiros.

Em curto espaço de tempo, Fernando já assimilara os diversos dialetos indígenas e africanos, movimentando-se com desenvoltura entre os humildes.

Certa noite, quando contemplava as estrelas, sobreveio-lhe forte lembrança da pátria distante, onde dispunha de inúmeros e valiosos bens, entre propriedades e terras. Enquanto meditava se deveria regressar à Espanha, sentiu uma voz suave, como que nascida dentro da sua consciência, recomendando-lhe fazer aquilo que o rico mancebo referido no Evangelho se recusou a fazer quando aconselhado por Jesus a se desfazer de seus bens antes de segui-Lo (Mateus,XIX: 16-24; Lucas XVII: 18-25; Marcos X: 25) :

“Vai vende todos os teus bens, distribuí-os entre os pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”!

Surpreso, sentia que conhecia aquela voz, mas, de onde? Parecia-lhe que já a escutara antes, mas quando? Achava-se perdido no oceano dos séculos.
Contudo, a voz fez-se ouvir novamente.

“Fernando, podes vender todas as tuas posses na Espanha e distribuir o dinheiro entre os necessitados de tua pátria! Os daqui, necessitando passar pelos processos renovadores, precisam mais da tua riqueza mental, do resultado de tuas mãos operosas, do tesouro armazenado em teu coração e da tua presença confortadora”!

Miramez, então, enviou procuração a amigos de sua confiança, autorizando-os a dispor dos seus bens e distribuir o resultado entre os carentes e sofredores da Península Ibérica, passando a viver em estado de consciência tranquila e realizando importante trabalho de mediação. Alguns índios e negros não se davam bem, hostilizando-se mutuamente. Trabalhando arduamente pela aproximação e convivência das duas raças, em pouco tempo seus esforços apresentaram resultado: índios e negros passaram a festejar, juntos, suas tradições, unidos pelos laços de ideal, amizade e sofrimento.

Miramez, então, passou a frequentar o grupo de catequizadores europeus, por encontrar ali campo propício à prática dos seus ideais. Como resultado de seu trabalho e esforço conjunto foi promulgada, em 1680, a lei de proteção aos índios.

Sua morte ocorreu num quadro de elevada suavidade. Os negros e os índios catequizados formavam extensa fila para beijar as mãos que tanto os auxiliara. Enquanto ainda lúcido, Miramez abençoava-os, um por um.

Nos momentos derradeiros, Fernando Miramez de Olivídeo percebeu a presença da mãe extremosa, bem como de sublimada entidade que ele preferiu não identificar, por julgar não merecer tamanha honra.

Com lágrimas nos olhos, Miramez desprendeu-se do vaso físico e, já fora dele, chorou de felicidade e agradecimento, por ter ingressado no Brasil pelas portas do amor e da caridade, que lhe foram abertas por Jesus.

Humberto de Campos

 


Humberto de Campos nasceu na pequena localidade de Piritiba, no Maranhão, em 1886. Foi menino pobre. Estudou com esforço e sacrifício. Ficou órfão de pai aos 5 anos de idade. Sua infância foi marcada pela miséria. Em sua "memórias", ele conta alguns episódios que lhe deixaram sulcos profundos na alma.

Tempo depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Capital da República, onde se tornou famoso. Brilhante jornalista e cronista perfeito, suas páginas foram "colunas" em todos os jornais importantes do País.

Dedicou-se inteiramente à arte de escrever, e por isso eram parcos os recursos financeiros. A certa altura da sua vida, quando minguadas se fizeram as economias, teve a ideia de mudar de estilo.

Adotando o pseudônimo de Conselheiro XX, escreveu uma crônica chistosa a respeito da figura eminente da época - Medeiros e Albuquerque-, que se tornou assim motivo de riso, da zombaria e da chacota dos cariocas por vários dias.

O Conselheiro, sibilino e mordaz, feriu fundo o orgulho e a vaidade de Medeiros, colocando na boca do povo os argumentos que todos desejavam assacar contra Albuquerque. O sucesso foi total.

Tendo feito, por experiência, aquela crônica, de um momento para outro se viu na contingência de manter o estilo e escrever mais, pois seus leitores multiplicaram, chovendo cartas às redações dos jornais, solicitando novas matérias do Conselheiro XX.

Além de manter o estilo, Humberto se foi aprofundando no mesmo, tornando-se para alguns, na época, quase imortal, saciando o paladar de toda uma mentalidade que desejava mais liberdade de expressão e mais explícito na abordagem dos problemas humanos e sociais.

Quando adoeceu, modificou completamente o estilo. Sepultou o Conselheiro XX, e das cinzas, qual Fênix luminosa, nasceu outro Humberto, cheio de piedade, compreensão e entendimento para com as fraquezas e sofrimentos do semelhante.

A alma sofredora do País buscou avidamente Humberto de Campos e dele recebeu consolação e esperança. Eram cartas de dor e desespero que chegavam às suas mãos, pedindo socorro e auxílio. E ele, tocado nas fibras mais sensíveis do coração, a todas respondia, em crônicas, pelos jornais, atingindo milhares de leitores em circunstâncias idênticas de provações e lágrimas.

Fez-se amado por todo o Brasil, especialmente na Bahia e São Paulo. Seus padecimentos, contudo, aumentavam dia-a-dia. Parcialmente cego e submetendo-se a várias cirurgias, morando em pensão, sem o calor da família, sua vida era, em si mesma, um quadro de dor e sofrimento. Não desesperava, porém, e continuava escrevendo para consolo de muitos corações.

A 5 de dezembro de 1934, desencarnou. Partiu levando da Terra amargas decepções. Jamais o Maranhão, sua terra natal, o aceitou. Seus conterrâneos chegaram mesmo a hostilizá-lo.

Três meses apenas de desencarnado, retornou do Além, através do jovem médium Chico Xavier, então com 24 anos, e começou a escrever, sacudindo o País inteiro com suas crônicas de além-túmulo.

O fato abalou a opinião pública. Os jornais do Rio de Janeiro e outros estados estamparam suas mensagens, despertando a atenção de toda gente. Os jornaleiros gritavam. Extra, extra! Mensagens de Humberto de Campos, depois de morto! E o povo lia com sofreguidão...

Agripino Grieco e outros críticos literários famosos examinaram atenciosamente a produção de Humberto, agora no Além. E atestaram a autenticidade do estilo. "Só podia ser Humberto de Campos!" - afirmaram eles. Começou então uma fase nova para o Espiritismo no Brasil. Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira ganharam notoriedade. Vários livros foram publicados.

Aconteceu o inesperado. Os familiares de Humberto moveram uma ação judicial contra a FEB, exigindo os direitos autorais do morto! Tal foi a celeuma, que o histórico de tudo isto está hoje registrado num livro cujo título é "A Psicografia ante os Tribunais", escrito por Dr. Miguel Timponi. A Federação ganhou a causa. Humberto, constrangido, ausentou-se por largo período e, quando retornou a escrever, usou o pseudônimo de Irmão X. Nas duas fases do Além, grafou 12 obras pelo médium Chico Xavier.

"Crônicas de Além-Túmulo", "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho","Boa Nova", "Novas Mensagens", "Luz Acima", "Contos e Apólogos" e outros foram livros que escreveu para deleite de muitas almas.
Nas primeiras mensagens temos um Humberto bem humano, com características próprias do intelectual do mundo. Logo depois, ele se vai espiritualizando, sutilizando as ideias e expressões, tornando-se então o escritor espiritual predileto de milhares de pessoas.

Eurípedes Barsanulfo

 



Nascido em 1º de maio de 1880 na pequena cidade de Sacramento em Minas Gerais, logo cedo manifestou profunda inteligência e senso de responsabilidade, fruto das lutas e experiências de vidas passadas.


Ainda moço e muito estudioso, apresentou tendência para o ensino, sendo incumbido pelo mestre-escola de ensinar aos companheiros de sala. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, além de participar ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano".


Através de informação prestada por um tio, tomou conhecimento dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Voltou sua atenção totalmente para a nova Doutrina, estudando e pesquisando até desfazer suas dúvidas. Converteu-se sem demora, identificando-se plenamente com os novos ideais. Numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja onde prestava colaboração e colocou à disposição do mesmo o cargo de secretário que ocupava. Tal atitude repercutiu mal entre os habitantes locais e membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as consequências de sua atitude incompreendida.


Persistiu lecionando e incluiu o ensino do Espiritismo entre as matérias estudadas, provocando forte reação em muitas pessoas da cidade que, aturdidas, ofereceram dinheiro para voltar atrás. Ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.


Sob pressão e impiedosas perseguições, sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento em uma cidade vizinha, época em que desabrochou nele várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos. Os vários fenômenos observados a partir de então atraiu para Sacramento centenas de pessoas. A todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.


Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo.


Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade" em 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos no campo doutrinário e de assistência social.


Certa ocasião caiu em transe no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a 1ª Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.


Em 1º de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto ficou conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado desde a sua inauguração com uma média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.


Seu trabalho ficou tão conhecido que as matrículas abriam e encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando outro colégio da região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de frequentadores.


Liderado com pulso forte e diretriz segura, o movimento espírita crescia na região. Esse fato incomodou o clero católico que passou, inicialmente de forma velada e logo após declaradamente, a desenvolver campanha difamatória sobre o missionário e sua doutrina. Eurípedes defendeu-se através do jornal "Alavanca", discorrendo sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota aos opositores. Estes então mandaram vir de Campinas, São Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que suas argumentações infringiriam o golpe derradeiro sobre o Espiritismo.


O referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública. No dia marcado, o padre iniciou insultando o Espiritismo e os espíritas, numa demonstração de falso zelo religioso, dando testemunho público do ódio que o movia, além de descortinar sua alma repleta de intolerância e sectarismo. O missionário sublime aguardou serenamente sua oportunidade. Iniciou sua fala com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranquilidade para uns e luz para outros, iniciando em seguida a defesa dos princípios que alicerçavam sua fé. Com delicadeza e lógica, descortinou os desvirtuamentos doutrinários do Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos. Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.


Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida, ocasião na qual a pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, tirou-lhe também a vida. Manifestada em nosso continente, encontrou-o à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres.


Chegado ao término de sua missão terrena, esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1º de novembro de 1918, às 18 horas, aos 38 anos de idade, rodeado de parentes, amigos e discípulos. Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material à sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

MADRE TERESA DE CALCUTA MISSIONARIA DO AMOR

 


Madre Teresa de Calcutá

Missionária católica albanesa.

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) foi uma missionária católica macedônia, famosa por seu trabalho de ajuda às populações carentes do Terceiro Mundo.

Logo cedo descobriu sua vocação religiosa. Com dezoito anos entrou para a Casa das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto. Criou a Congregação Missionárias da Caridade.

Dedicou toda sua vida aos pobres. Em 1979 recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Foi Beatificada pela igreja católica em 2003 e canonizada em 2016.

Infância e Juventude

Agnes Gonxha Bojaxhiu, conhecida como Madre Teresa de Calcutá, nasceu  em Skopje, na Macedônia, no Sudeste da Europa, no dia 26 de agosto de 1910.

Foi educada numa escola pública da atual Croácia. Ingressou na Congregação Mariana. Com o consentimento dos pais, no dia 29 de Setembro de 1928, entrou para a Casa das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Dublin, Irlanda.

O seu sonho era ir para a Índia, onde faria um trabalho missionário com os pobres. Em 24 de maio de 1931, fez votos de pobreza, castidade e obediência, recebendo o nome de Teresa.

Da Irlanda, Irmã Teresa partiu para Índia. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio.

De Darjeeling a Irmã Teresa foi para "Calcutá" onde passa a ensinar História e Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto.. Mais tarde foi nomeada diretora.

Chamado Para a Caridade

Em setembro de 1946 durante uma viagem de trem, ouviu um chamado interior que a fez decidir abandonar o noviciado e se dedicar aos necessitados.

Depois de apresentar seu plano, recebeu a autorização do Papa Pio XII, no dia 12 de Abril de 1948. Embora deixando a congregação de Nossa Senhora de Loreto, a Irmã Teresa continuava religiosa sob a obediência do arcebispo de Calcutá. Só em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria.

Madre Teresa dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem. Em 21 de dezembro obtém a nacionalidade indiana. Data em que a irmã reuniu um grupo de cinco crianças, num bairro pobre e começou a dar aula.

Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinquenta crianças. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa usava um sari branco (roupa indiana), debruado de azul e colocava no ombro uma pequena cruz.

madre teresa

As missionárias visitavam os abrigos levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho.

Congregação Missionárias da Caridade

Em 19 de março de 1949, as vocações começaram a surgir entre as suas antigas alunas do colégio. A primeira foi Shubashini. Filha de uma rica família, disposta a colocar sua vida ao serviço dos pobres.

Outras voluntárias foram se juntando ao trabalho missionário. Mais tarde chamadas de "Missionárias da Caridade". Em 1949, a constituição da irmandade, começou a ser redigida.

A Congregação de Madre Teresa, foi aprovada pela Santa Sé em 07 de outubro de 1950. Em agosto de 1952, é aberto o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugurado o "Lar para Moribundos", em Kalighat, auxiliando pobres, doentes e famintos.

A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se pela Índia e por várias partes do mundo. Em 1963, em reconhecimento a seu apostolado, o governo indiano concede-lhe a medalha "Senhor do Lótus".

Prêmios e Honrarias

Em outubro de 1979 a Madre Teresa de Calcutá recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

madre teresa

No mesmo ano, João Paulo II recebeu a Madre, em audiência privada e a nomeia "embaixadora" do Papa em todas as nações.

Muitas universidades lhe conferiram o título "Honoris Causa". Em 1980, recebe a ordem "Distinguished Public Service Award" nos EUA. Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos.

Em setembro de 1985, foi reeleita Superiora das Missionárias da Caridade. Nesse mesmo ano, recebeu do Presidente Reagan, na Casa Branca, a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração do país.

Em agosto de 1987, viajou para a União Soviética quando foi condecorada com a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos, abrir uma casa na sua Albânia, sua terra natal.

Em setembro de 1989, sofre o seu segundo ataque do coração e recebe um marca-passo. Em 1990, pede ao Papa para ser substituída no seu cargo, mas volta a ser reeleita por mais seis anos, até 1996.

Morte

Madre Teresa de Calcutá faleceu no dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma parada cardíaca. Seu corpo foi transladado ao Estádio Netaji, onde o cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, celebrou a Missa de corpo presente.

O mesmo veículo que, em 1948, transportara o corpo do Mahatma Gandhi foi utilizado para realizar o cortejo fúnebre da "Mãe dos pobres". Em 19 de outubro de 2003 Madre Teresa de Calcutá é beatificada pelo Papa João Paulo II. No dia 4 de setembro de 2016 foi canonizada, pelo Papa Francisco.

Frases da Madre Teresa de Calcutá

  • "Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz."
  • "É fácil amar os que estão longe, mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado."
  • "Temos que ir a procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade."
  • "Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las."
  • "Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo."

sábado, 21 de agosto de 2021

DIVALDO PEREIRA FRANCO




 Divaldo Pereira Franco, mais conhecido como Divaldo Franco ou simplesmente Divaldo (Feira de Santana, 5 de maio de 1927) é um professor, médium e orador espírita brasileiro.


É, há quase sessenta anos, um importante orador e escritor espírita, com mais de cinqüenta anos devotados à mediunidade, e mais de quarenta dedicados a cuidar dos meninos de rua de Salvador, na Bahia. Para este último fim fundou, em 15 de agosto de 1952, junto com Nilson de Souza Pereira, a casa de assistência Mansão do Caminho, responsável pela orientação e educação de mais de 33 mil crianças e adolescentes carentes.

Primeiros anos

Divaldo cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, onde recebeu o diploma de Professor Primário em 1943. Desde a infância relata comunicar-se com os espíritos.

Quando jovem, foi abalado pela morte de seus dois irmãos mais velhos, o que o deixou traumatizado e enfermo, sendo conduzido a diversos especialistas, na área da Medicina, sem, contudo, lograr qualquer resultado satisfatório. Nessa época conheceu a Sra. Ana Ribeiro Borges, que o conduziu à Doutrina Espírita, o que o teria libertado do trauma e trazido consolações, tanto para ele como para toda a sua família. Divaldo dedicou-se, então, ao estudo do Espiritismo, ao tempo em que foi aprimorando suas faculdades mediúnicas, pelo correto exercício e continuado estudo do Espiritismo.

Transferiu residência para Salvador no ano de 1945, tendo feito concurso para o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde ingressou a 5 de Dezembro de 1945, como escriturário.

Já espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), em 7 de Setembro de 1947.

Em A Veneranda Joanna de Ângelis (Salvador: LEAL, 1987), escrito por Divaldo e Celeste Santos, constam biografias do médium baiano e de sua mentora espiritual, Joanna de Ângelis, bem como informações sobre o trabalho educacional e assistencial desenvolvido pela Mansão do Caminho, além de entrevistas com Divaldo e relatos sobre supostas reencarnações de Joanna de Ângelis.
Atividades como médium psicógrafo

Divaldo apresentou, desde jovem, diversas faculdades mediúnicas, tanto de efeitos físicos quanto de efeitos intelectuais. Destaca-se, dentre elas, no entanto, a psicografia.

Inicialmente, diversas mensagens foram escritas pelo seu intermédio, sob a orientação dos benfeitores espirituais, até que um dia, ele recebeu a recomendação para que fosse queimado o que escrevera até ali, pois não passavam de simples exercícios.

Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno para se fazer conhecida. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável, repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta aos mais diversos leitores e necessitados de diretriz espiritual.

Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro, que recebeu o sugestivo título de Messe de Amor. Foi o primeiro livro que o médium publicou. Logo em seguida, Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. O que se seguiu constitui-se hoje em um verdadeiro fenômeno editorial, pois, em 31 anos de atividade como médium, teve publicados 240 títulos, totalizando mais de quatro milhões e quinhentos mil exemplares, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universal. Dessas obras, houve 80 versões para 15 idiomas (alemão, castelhano, esperanto, francês, italiano, polonês, tcheco, braille e outros). Os livros englobam uma grande variedade de estudos literários, como prosa, romances, narrações e etc., abrangendo temas filosóficos, doutrinários, históricos, infantis, psicológicos e psiquiátricos.

Nessas obras psicografadas, apresentam-se 211 alegados autores espirituais, além de Joanna de Ângelis, entre eles, Manoel Philomeno de Miranda, Victor Hugo, Amélia Rodrigues, Ignotus, Vianna de Carvalho, Carlos Torres Pastorino, Bezerra de Menezes, Rabindranath Tagore, João Cléofas, Eros e Simbá.
Psicografias de Joanna de Ângelis

Por meio das obras de Joanna de Ângelis, Divaldo pôde alcançar o reconhecimento não apenas entre os religiosos e espiritualistas, mas também em outras linhas de conhecimento, como a psicologia e a parapsicologia. Isso se deu principalmente em função dos livros publicados na Série Psicológica, onde tratou dos malefícios das fugas da realidade e enfatizou a importância do autoconhecimento e auto-enfrentamento.

A Série Psicológica foi escrita à luz dos pensamentos de Allan Kardec e de pesquisadores da psiquê humana, a exemplo de Carl Jung. Na referida série se encontram duas obras voltadas à psicologia transpessoal: Autodescobrimento (1995) e Triunfo Pessoal (2002).

A maioria das obras escritas por Divaldo Franco sob o comando de Joanna de Ângelis almeja incentivar o autodescobrimento e facilitar a aplicação no dia-a-dia dos ensinamentos morais de amor fraterno contidos nos Evangelhos e na Doutrina Espírita, incentivando o leitor a enfrentar as dificuldades cotidianas de modo mais prático e otimista.

Grande parte das obras ditadas a Divaldo por Joanna de Ângelis foi publicada pela Editora LEAL, de Salvador (BA). Um dos mais recentes lançamentos de Joanna de Ângelis chama-se Conflitos Existenciais (LEAL, 2005), obra que analisa os principais conflitos do ser humano, as suas causas, origens e formas de terapia - inclusive, estuda as tentativas atuais de se preencherem os vazios existenciais, a exemplo de relacionamentos efêmeros por meio da Internet.
Atividades como Orador

Como orador, Divaldo começou a fazer palestras em 1947, difundindo a Doutrina Espírita e hoje apresenta uma histórica e recordista trajetória no Brasil e no exterior, sempre atraindo multidões, com sua palavra inspirada e esclarecedora, acerca de diferentes temas sobre os problemas humanos e espirituais. Há vários anos, viaja em média 230 dias por ano, realizando palestras e também seminários no Brasil e no mundo. Em um levantamento preliminar suas atividades no exterior foram:

Mais de 11 mil conferências proferidas no Brasil e no exterior percorrendo mais de 62 países.

* América: Esteve em 18 países, em mais de 119 cidades, onde realizou mais de 1.000 palestras, concedeu mais de 180 entrevistas de rádio e TV para cerca de 113 emissoras, inclusive por 3 vezes na Voz da América, a maior cadeia de rádio do continente. Recebeu cerca de 50 homenagens de vários países, destacando-se o honorífico título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, concedido pela Universidade de Concórdia em Montreal, no Canadá, em 1991. Por 3 vezes fez palestras na ONU, no departamento de Washington e fez conferências em mais de 12 universidades do continente.

* Europa: Esteve em mais de 20 países, em mais de 80 cidades, onde realizou mais de 500 palestras, concedeu mais de 50 entrevistas de rádio e TV para cerca de 40 emissoras, tendo recebido homenagens de vários países; fez conferência em cerca de 10 universidades européias e, por 2 vezes, na ONU, departamento de Viena.

* África: Esteve em mais de 5 países, em 25 cidades, realizando 150 palestras, concedeu mais de 12 entrevistas de rádio e TV, em 11 emissoras; recebeu 4 homenagens.

* Ásia: Esteve em mais de 5 países, em 10 cidades, realizando mais de 12 palestras.

Em 31 de agosto de 2000 participou, a convite da ONU, do Primeiro Encontro Mundial da Paz, reunião de cúpula com líderes religiosos de expressão internacional para se discutir e formular proposta de paz.

É considerado um dos maiores divulgadores do espiritismo no Brasil e no exterior. Na península ibérica se destacou pela assistência ao movimento espírita português e espanhol durante a ditadura fascista de ambos os países.

Suas palestras promovem o pacifismo, comparam a doutrina espírita com correntes filosóficas niilistas, hedonistas e orientais, estabelecem pontos de convergência entre a doutrina espírita e a ciência (principalmente a psicologia) e incentivam a busca constante pelo autoconhecimento, ancorada em conhecimentos sobre psicologia e doutrina espírita.

Recentemente (2006-2007), estreou no site da Mansão do Caminho o programa de entrevistas Encontro com Divaldo.
Mansão do Caminho

Divaldo, desde jovem, teve vontade de cuidar de crianças. Educou mais de 600 "filhos", hoje emancipados, a maioria com família constituída e a própria profissão, no magistério, contabilidade, serviços administrativos e até medicina, tem 200 "netos". Na década de 60 iniciou a construção de escolas-oficinas profissionalizantes e de atendimento médico. Hoje a Mansão do Caminho é um admirável complexo educacional que atende a 3.000 crianças e jovens carentes, na Rua Jaime Vieira Lima, 01 – Pau de Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador; tem 83.000 m² e 43 edificações. A obra é basicamente mantida com a venda de livros mediúnicos e das fitas gravadas nas palestras.

O Centro Espírita Caminho da Redenção administra, dentre outros, os seguintes órgãos assistenciais:

* Mansão do Caminho (semi-internato para crianças e jovens carentes), fundado em 15 de agosto de 1952;
* A Manjedoura (creche para crianças carentes de 2 meses a 3 anos de idade) ;
* Escola Jesus Cristo (ensino fundamental), fundada em março de 1950;
* Escola Allan Kardec (ensino fundamental), fundada em 1965;
* Escola de Informática;
* Escola de Educação Infantil Alvorada Nova, fundada em fevereiro de 1971 com o nome de Esperança;
* Escola de Evangelização (ensino espírita para público infantil);
* Juventude Espírita Nina Arueira (evangelização e ensino espírita para o público jovem);
* Caravana Auta de Souza (auxilia idosos e pessoas inválidas portadoras de doenças irrecuperáveis e degenerativas);
* Casa de Assistência Lourdes Saad (distribuição diária de sopa e pão);
* Casa da Cordialidade (assiste a famílias carentes);
* Centro de Saúde J. Carneiro de Campos;
* Evangelização Nise Moacyr (evangelização de crianças);
* Grupo Lygia Banhos (esclarecimento e consolo a comunidades carentes);
* Livraria Espírita Alvorada (editora e gráfica).

Cronologia

* 1927
o Maio, 27: Nasce em casa humilde, filho de Francisco Pereira Franco e Ana Alves Franco. Desde criança já demonstrava capacidade de comunicar-se com o mundo espiritual.
* 1943
o Recebe o diploma de professor primário pela Escola Normal Rural de Feira de Santana.
* 1945
o Muda-se para Salvador;
o Aprovado no concurso do IPASE (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado).
* 1947
o Começa a realizar conferências. Desde então, já realizou mais de 14 mil em mais de 1400 cidades (cerca de 500 destas no exterior, e 900 no Brasil).
o Setembro, 7: funda o Centro Espírita Caminho da Redenção.
* 1949
o Começa a atividade de psicografar.
* 1952
o Agosto, 15: funda a Mansão do Caminho.
* 1964
o Primeira obra psicografada. O livro Messe de Amor, série de mensagens de Joanna de Ângelis.
* 2000
o Agosto: Participa do I Encontro Mundial pela Paz, a convite da ONU, onde vários religiosos debateram e elaboraram uma proposta para a paz no mundo.

Títulos e prêmios

Divaldo tem recebido inúmeras homenagens, ao longo de sua vida. Destacam-se, entre estas:

* Doctor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade de Montreal (Canadá)
* Doctor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (Brasil)
* Doctor in Parapsicology pela Cyberan University (Illinois, EUA)
* Diploma de Ordem do Mérito Militar-distinção federal (Brasil)
* Medaille de Reconnaisance Franco-Americaine-Classe Especial (Instituto Humaniste, França)
* Medalha da Câmara Municipal de Leiria (Portugal)
* Medalha do Município de Lobito (Angola)
* Mais de 80 títulos de cidadania honorária conferidos por Estados e Municípios do Brasil (16 Capitais)
* 590 homenagens de entidades da sociedade civil organizada (148 de 64 cidades do Exterior, de 20 países, e 442 do Brasil, de 139 cidades)
* Foi concedido a Divaldo Franco e a Nilson de Souza Pereira o Título de "Embaixador da Paz no Mundo". Título concedido pela "Embassade Universalle Pour la Paix" em Genebra, na Suíça, em 30 de dezembro de 2005, passando Divaldo Franco a ser, a partir de então, o duocentésimo-quinto "Embaixador da Paz no Mundo" e Nilson de Souza Pereira, o duocentésimo-sexto.

Homenagem poética

Feito em estilo cordelístico, o poeta José Olívio Paranhos Lima publicou em 1993 um libreto em versos, contando a vida do médium, intitulado "Divado Franco, o baiano que virou cidadão do mundo". Algumas citações:

Médium ou medianeiro
É o porta-voz do além
Por onde fala o espírito
O que não e o que convém
Prova ser a vida eterna
Não se engana e nem erra
Quem o dito crê e bem.
....
Divaldo, Paulo de Tarso,
Desse tempo atual
Conversa com os espíritos
Como se fosse um igual
Mas seu maior atributo
É ser um tribuno arguto
Do mundo espiritual.

Livros sobre Divaldo

* "Divaldo, médium ou gênio?" - pelo jornalista Fernando Pinto;
* "Moldando o Terceiro Milênio - Vida e obra de Divaldo Pereira Franco" - pelo jornalista Fernando Worm;
* "O Semeador de Estrelas" - por Suely Caldas Schubert, contando episódios da vida de Divaldo;
* "Viagens e entrevistas" - Obra organizada por Yvon ª Luz, relacionando algumas viagens e entrevistas de Divaldo.
* "Divaldo Franco - A história de um humanista" - por Jason de Camargo

Fernando Miramez de Olivídeo

  Miramez era filho de um casal de nobres que vivia no norte da Espanha. Sua mãe era francesa e seu pai português. Inteligente e estudioso, ...